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O Pandemônio e a Pandemia

Análise Realizada pelo Professor Paulo Henrique Costa Mattos

23/01/2021 20h33 Atualizada há 1 mês
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Por: Redacão Fonte: Professor Paulo Henrique Matos.
O Pandemônio e a Pandemia

Aconteceu na  manhã desse sábado 23, uma carreata organizada pela APUG (Sindicato dos Professores da Universidade de Gurupi), por amigos de redes de whattsapp e alguns partidos políticos de esquerda, a exemplo do PT e PCB, que cotizaram despesas com carros de som, faixas, pintura de vidros dos carros, agua e outras despesas com o evento.

A carreata com cerca de 50 carros percorreu as principais ruas de Gurupi e contou com o apoio entusiástico de muitas pessoas, embora também com reação raivosa de apoiadores do presidente Bolsonaro que lançaram impropérios contra a carreata, xingando os manifestantes e inclusive agredindo uma professora da Unirg. 

De acordo com o professor Paulo Henrique Costa Mattos, ex-presidente da APUG e  professor de Sociologia e História da Unirg, esse foi o primeio ato de uma série de outros que ainda serão realizados com apoio dos professores da Unirg, movimentos sindiciais, estudantis e grupos de whattsap que querem o impeachement de Bolsonaro e pregam como palavra de ordem o Fora Bolsonaro, Paulo Guedes, Mourão e o Governo Corrupto e Meliciano. Em Defesa da Vida e da Vacina Para Todos Já!

O Brasil vivencia hoje um agravamento da pandemia do Coronavírus e a segunda onda da Covid19, está gerando uma contaminação que já escapa do controle em várias regiões. Hoje, o agravamento da pandemia pode ser muito mais catastrófico do que foi lá atrás, pois parcelas significativas da população já tem a doença em descrédito, como se a ela tivesse acabado. Um grande responsável por essa situação é o presidente Jair Bolsonaro que propagou a ideia de que o brasileiro deve enfrentar a doença de peito aberto, afinal não somos um bando de maricas! Segundo o presidente, não se pode ter medo de uma doença que mais parece uma gripezinha. 

O despreparo do governo Bolsonaro foi tanto, que sua postura negacionista permitiu ele ficar durante vários meses desdenhando da vacina chinesa e da produção da vacina pelo Instituto Butatã, chegando também a não comprar nem mesmo seringas e agulhas suficientes para o início de um processo de vacinação em massa. Depois que a segunda onda da pandemia começou gerar situações trágicas em todo o país de repente o presidente tentou dizer que as vacinas do Butatã foram pagas pelo governo federal, o que é uma mentira 

 O momento é grave não só por causa do descontrole da pandemia, mas porque a sociedade vive um momento de retorno da inflação, onde o aumento de preço dos alimentos e produtos básicos dificulta a alimentação e torna os baixos salários, a pouca renda e o desemprego, sem data para terminar, faz voltar o flagelo da fome. Grande parte dos trabalhadores que conseguiram manter seus empregos, e/ou tiveram redução de salários para preservar o trabalho, já não tiveram o 13º salário, que foi cortado pela metade, salvo os que conseguiram manter o benefício no contrato coletivo. Os aposentados, por sua vez, nem tiveram o 13º, porque este foi  antecipado.

O isolamento político e o desgaste do presidente Bolsonaro se evidenciou com o resultado das manifestações que ocorreram por todas as capitais do país e cidades mais politizadas. Embora o bolsonarismo esteja desgastado, ainda está longe de morrer. Porém os inúmeros casos de corrupção, a falta de planejamento nas questões da saúde pública e o verdadeiro genocídio da população, que já matou mais de 216 mil brasileiros, somado a falta de vacinas suficientes para todos os brasileiros já criaram as condições para o seu afastamento através de um impeachement.  

Vivemos um contexto de absoluto avanço da restruturação produtiva, da precarização do trabalho, da destruição do serviço público, que avança inclusive com o projeto de Reforma Administrativa apresentado pelo governo no Congresso Nacional. O Governo Bolsonaro protocolou o texto da reforma administrativa e a proposta traz uma série de mudanças nas regras do funcionalismo público. Entre os principais pontos da reforma proposta por Bolsonaro está o fim da estabilidade para parte dos novos servidores do Executivo, demissão por desempenho insuficiente, vedação de promoções ou progressões por tempo de serviço.

 Essas são medidas para preservar os lucros dos banqueiros e dos grandes empresários. Governo, burguesia e imperialismo querem consolidar um novo grau de exploração, assim como colocar a entrega do país num novo patamar com a venda de estatais como Correios, Eletrobrás, Petrobrás, Caixa Econômica. Isso vai fazer com que país viva o que o Amapá vive hoje, com o sistema elétrico privatizado. Afinal, privatização é isso: você paga mais e fica no escuro, sem garantia de um serviço de qualidade. A imagem de eficiência e eficácia vendida pela iniciativa privada não passa disso, apenas uma imagem de marketing!

 Enquanto aumenta a sanha privatista e a estratégia do capital para salvar suas empresas da crise capitalistas, enquanto se planeja como empurrar essa crise para o lombo dos trabalhadores aprofunda-se, a mortandade por culpa de um governo sem capacidade administrativa e sem capacidade política de resolver os principais problemas do país hoje.

 Nós estamos diante de uma crescente barbárie social que se aprofunda com o racismo estrutural, com o feminicídio, com o genocídio da juventude, com o Brasil sendo o país que mais mata por arma de fogo no mundo, mesmo não estando vivendo uma guerra declarada, com o crescimento do trabalho análogo a escravidão e ampliação da violência no campo e nas cidades. Chegou a hora de engrossar o Fora Bolsonaro. 

É preciso neste contexto organizar o sindicato para agir desde já na organização da luta em defesa dos empregos, dos salários, da renda e da soberania nacional. Contra os ataques e em defesa da vida, enquanto durar a pandemia é preciso reforçar o processo de vacinação. Sem ideologização da vacina, pois seu objetivo é salvar vidas, não existindo vacinas comunistas ou porque feitas em países não capitalista serem mais eficientes. 

É necessário impedir o pacote de maldades do governo Bolsonaro e exigir que se tire dos ricos para garantir nossos empregos, direitos e salários. Impedir as privatizações e lutar pela reestatização das que foram privatizadas sob o controle dos trabalhadores. Exigir a taxação das grandes fortunas e a cobrança das dívidas dos bancos e das grandes empresas. Temos de lutar para arrancar Bolsonaro e Mourão de lá, condição inicial para que nossas pautas avancem. É preciso também combater o racismo, o machismo, a LGBTfobia, a violência policial e o predomínio das facções criminosas e das milícias paramilitares no Brasil.

 Nesse sentido, temos de organizar a resistência e o enfrentamento e fazer avançar a organização de base e a auto-organização da classe trabalhadora e dos setores populares, sem deixar de exigir de todas as organizações dos trabalhadores que se coloquem a organizar essa resistência e esta dispostos a, se não fizerem, na medida das forças da classe, trabalhar para remover esses obstáculos. 

              

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