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Pesquisa  mostra 61,3% dos estudantes tocantinenses já beberam e 8,7% usaram droga

Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense) 2019, divulgada nesta sexta-feira, 10, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

10/09/2021 18h53
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Por: Redacão Fonte: IBGE
Pesquisa  mostra 61,3% dos estudantes tocantinenses já beberam e 8,7% usaram droga

Cerca de 61,3% dos estudantes tocantinenses de escolas públicas e particulares entre 13 e 17 anos já experimentaram bebida alcoólica e mais de um terço deles (33,7%) provou pelo menos uma dose antes de completar 14 anos. O uso de droga ilícita (como maconha, cocaína, crack e ecstasy) em algum momento da vida foi declarado por 8,7% dos estudantes e 3,7% o fizeram pela primeira vez com menos de 14 anos. Quanto ao cigarro, 22,8% dos estudantes responderam ter fumado alguma vez na vida e 12% fumaram antes dos 14 anos.

 

Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense) 2019, divulgada nesta sexta-feira, 10, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que entrevistou estudantes do 7º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio e traz temas como violência, saúde mental e uso de drogas. O universo retratado pela Pense no Tocantins abrange cerca de 110 mil estudantes de 13 a 17 anos, dos quais 54 mil (49,1%) são meninos e 56 mil (50,9%), meninas. Nas escolas públicas, estudavam 103 mil (93,6%) e nas escolas privadas, 7 mil (6,4%).

 

De acordo com o levantamento, no Tocantins, as meninas são mais expostas a iniciação precoce no álcool: 35,3% das adolescentes provou pelo menos uma dose antes de completar 14 anos, o índice foi de 32% entre os meninos. Entre os estudantes que experimentaram bebidas alcoólicas, cerca de 14% relataram a ocorrência de problemas em consequência de terem bebido, entre eles estão o conflito com a família ou amigos, a perda de aulas ou brigas. Por sua vez, 46,4% disseram ter tido episódios de embriaguez. Esse percentual foi maior entre os estudantes de escolas da rede pública (46,9%) do que entre os da rede privada (40,2%) e o dos meninos (48,5%) superou o das meninas (44,7%).

 

Entre os estudantes tocantinenses, a prevalência do consumo de ao menos uma dose de bebida alcoólica nos 30 dias anteriores à pesquisa foi de 25,4% sendo 27,5% entre as mulheres e 23,3% entre os homens. E o modo mais frequente de obtenção da bebida foi em uma festa (28,2%), seguido por mercado (24,3%), com amigos (20,4%) e em casa, com alguém da família (11,2%). Cerca de 9,1% dos escolares consumiram quatro ou mais doses num mesmo dia. Entre as questões levantadas também estava o uso de bebidas pelos pais ou responsáveis dos adolescentes. Mais da metade dos alunos (58,4%) respondeu que o pai, a mãe, ambos, ou seus responsáveis consumiam esse tipo de produto, sendo esse o maior percentual entre os estados da Região Norte.

 

Em 2019, 8,7% dos estudantes do Tocantins já haviam usado alguma droga ilícita em algum momento da vida, com maior proporção na rede privada (9,4%) do que na rede pública (8,7%) e entre os homens (10%) do que entre as mulheres (7,5%). Regionalmente, as maiores proporções ficaram no Distrito Federal (21,0%), Paraná (19,0%) e São Paulo (18,3%) e as menores, na Bahia (5,5%), Alagoas (6,6%) e Pará (7,0%). Tocantins registrou o segundo menor percentual da Região Norte e o sétimo no ranking nacional. Já em Palmas a prevalência do consumo foi de 12,6%.

 

A proporção de escolares que usaram pela primeira vez com menos de 14 anos foi de 3,7%, a proporção foi maior na rede pública (3,8%) do que na rede privada (2,1%) e entre meninos (4,5%) do que entre meninas (2,9%). O consumo recente, isto é, nos 30 dias anteriores à pesquisa, ficou em 3,1% no Tocantins, variando entre 3,6% para meninos e 2,5% para as meninas. O indicador foi maior entre os alunos da rede privada (4,0%) em relação à rede pública (3,0%). Por tipo de droga, 3,3% relataram consumo recente de maconha e 0,3%, de crack.

 

O IBGE estima que 22,8% dos estudantes tocantinenses tenham fumado cigarro alguma vez na vida. A proporção das meninos (25,7%) supera a das meninas (20,1%). Cerca de 12% dos estudantes fumaram, pela primeira vez, antes dos 14 anos, e esse indicador, na rede pública (12,3%), é quase duas vezes o da rede privada (6,6%). Apesar da venda proibida a menores de 18 anos, o modo mais frequente de se obter cigarro (31,7%) foi comprar em uma loja, bar, botequim, padaria ou banca de jornal. Conforme a pesquisa, em 2019, 26,9% dos alunos já haviam experimentado o narguilé e 15,7%, o cigarro eletrônico.

 

Saúde sexual

No Tocantins, 39,4% dos estudantes de 13 a 17 anos informaram já ter tido relação sexual. Na rede pública, esse percentual (40,4%) foi mais alto do que na rede privada (23,5%). Entre os meninos, o índice de adolescentes que já tiveram relação sexual é mais alto (48,3%) do que entre as meninas (30,6%). Entre os estudantes que já haviam iniciado a vida sexual, 61,4% usaram camisinha ou preservativo na sua primeira relação.

 

A pílula anticoncepcional foi o método contraceptivo (exclusive a camisinha) utilizado pela maioria dos escolares (49,9%). A pílula do dia seguinte (21,2%) e o contraceptivo injetável (7,7%) foram a segunda e a terceira categoria mais utilizadas. Em 2019, 53,9% das meninas tocantinenses de 13 a 17 anos que já haviam tido relação sexual usaram a pílula do dia seguinte alguma vez na vida. Esse foi o maior percentual registrado no país.

 

Entre as meninas de 13 a 17 anos que já haviam tido relação sexual, 10,9% estiveram grávidas alguma vez na vida. Em escolas da rede pública, essa proporção foi de 11,3%, enquanto entre as meninas da rede particular o percentual foi quase quatro vezes menor: 2,8%. Regionalmente, a maior incidência de gravidez entre adolescentes estava no Acre (12,8%), o estado do Tocantins atingiu o segundo maior índice. Por outro lado, no ranking nacional, o estado de Santa Catarina (3,7%) apresentou o menor percentual e o Tocantins a oitava maior proporção.

 

Cerca de 13,4% dos escolares de 13 a 17 anos alguma vez na vida foram tocados, manipulados, beijados ou passaram por situações de exposição de partes do corpo contra a sua vontade. Tais casos de abuso sexual foram bem mais frequentes entre as meninas (17,5%), com taxa quase duas vezes maior do que a observada para os meninos (9%). Na rede privada, houve mais relatos desse tipo de violência (15,9%) do que na rede pública (13,2%).

 

Na comparação entre os estados da Região Norte, o Tocantins registrou a menor incidência de abuso sexual entre os estudantes e o Amapá (18,2%), o maior percentual. Entre os escolares que sofreram esse tipo de violência, 30,9% apontaram o(a) namorado(a) como o agressor; 23,5% apontaram amigo(a); 17,1%, um desconhecido; 16,7%, outros familiares; 15%, outras pessoas; e 9,1%, pai, mãe ou responsável.

 

A pesquisa ainda mostra que cerca de 6,2% dos escolares foram obrigados a ter relação sexual contra a vontade. Entre os meninos, o percentual foi de 4,2% e, entre as meninas, de 8,2%. Os casos foram mais elevados entre os alunos da rede pública (6,3%) do que da rede privada (5,2%). Para esse tipo de agressão, pai, mãe ou responsável (20,5%) e outra pessoa da família (23,4%) foram os principais autores apontados. Mas o(a) namorado(a) (19%), desconhecido (18%), outra pessoa (15,4%) e amigo (12,9%) tiveram percentuais também relevantes.

 

Acesso à tecnologia

O IBGE também abordou na pesquisa a posse de alguns aparelhos tecnológicos e o acesso à internet. Em 2019, em média 77,3% dos estudantes tinham aparelho celular, sendo 94,2% das escolas privadas e 76,2% das escolas públicas. Já o computador ou notebook estava presente nos lares de 44% dos alunos, sendo 86,1% das escolas privadas e 41,2% das públicas. A internet estava presente na casa de 82% dos escolares – 98,4% da rede privada e 80,9% da rede pública.

 

Para o gerente da pesquisa, Marco Andreazzi, é importante destacar que os dados se referem à realidade dos escolares em 2019, antes, portanto, da pandemia de Covid-19 cujas medidas de enfrentamento incluíram isolamento social e distanciamento físico do ambiente escolar. “Tudo isso pode ter sido agravado por consequência da pandemia. Então é importante conhecer o que já vinha acontecendo antes desse período para perceber essa realidade que vai surgir logo após. O fato de a pesquisa ter sido realizada pouco antes da pandemia nos permite ter um ponto de referência para medir os impactos e até orientar as medidas de controle”, concluiu.

 

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